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Os Mercenários 3 (The Expendables 3, 2013)

Não é fácil envelhecer, ou pelo menos aceitar esse processo. Quem viu os primeiros dois filmes da franquia Os Mercenários percebe imediatamente que os seus protagonistas recusam-se a aceitar o ciclo natural das coisas. No entanto, a barreira, entre o inconformismo e o “dar pena”, é muito ténue. E é precisamente aqui que chegamos ao terceiro capítulo desta saga de “old timers” que, independentemente do realizador que esteja por trás – neste caso Patrick Hughes – é o filme concebido e pensado por um Stallone que se nega a parar.

Nesta nova história repete-se a receita que tanto lucrou em anteriores box-offices: atores de filmes de ação dos anos 80 e 90 e Jason Statham, com as habituais adições de mais revivalismo – o presente filme trouxe-nos Wesley Snipes, Harrisson Ford, o tenebroso vilão Mel Gibson, o regresso de Jet Li e Arnold Swarzeneeger.

Não se perde grande tempo a apresentar os personagens, dando-se imediatamente início ao festival de explosões, apanágio da franquia, observando-se um Wesley Snipes a gracejar com o facto de ter estado preso por evasão fiscal (ok, esta parte foi engraçada). Depois, inevitavelmente, algo corre mal e Stallone (sempre ele) vai à procura de sangue novo, encontrando recrutas joviais cada um com caraterísticas diferentes (do género Power Rangers) e, mais uma vez para não puderem ser acusados de misoginia, uma agente feminina que sabe dar uns golpes.

Entretanto surge António Banderas, numa versão em carne e osso do Gato das Botas (isto é provavelmente o que de melhor o filme tem para oferecer).

É aqui que a fronteira entre o que era interessante – as piadas sobre as idades dos atores, referências aos filmes que os tornaram famosos, algumas cenas de ação – se cruza com o que é apenas banal e triste. Se o primeiro Mercenários tinha algo para oferecer, este serve apenas para que os atores possam ganhar mais algum dinheiro que lhes sirva para ter uma vida de reformado confortável (ou para pagarem o que devem ao fisco).

O ponto negativo prende-se pelo facto de todos os atores parecerem estar a representar como hobby e não como profissão. A reunião de amigos resultou num argumento que, para além de previsível, é banal, com uma sequência de cenas de explosões mal concebidas (o orçamento do filme com certeza não foi alocado aos efeitos especiais) e, acima de tudo, faltam ideias.

O intuito de colocar atores novos, para dinamizar a história, falhou redondamente pelo facto de eles terem pouco tempo de antena. Verificando-se mais uma vez um egocentrismo exacerbado exercido pelos personagens mais velhos que, quais filhos únicos, querem a atenção toda sobre eles.

  • Susana Simões

    E eu que só tinha visto o primeiro fiquei com zero vontade de ver qualquer um dos restantes 😉 Muito bem escrito.

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