Romeo-and-Juliet-2013

Romeu e Julieta (Romeo & Juliet, 2013)

Oh romeo, romeo wherefore art thou romeo?

Adaptar uma obra, nem sempre é fácil. Adaptar uma obra que todas as pessoas conhecem (ainda que 99% não tenha lido), é ainda mais complicado. Fazer um reboot de uma história mundialmente reconhecida e com mil e uma versões, é uma missão muito ingrata.

Actores como Di Caprio e, até mesmo, Jet li, já fizeram de “Romeu”.  Até em filmes de animação (e.g.  Gnomeu e Julieta), a história já surgiu. Ultimamente, tem-se optado por actualiza-la. Por outro lado, nesta nova recriação da obra de Shakespeare, tentou-se transpor o erudito dos diálogos para o grande ecrã. Quando se fala em histórias de amor assolapadas e se tenta usar rimas de Shakespeare, o resultado normalmente é a falta de credibilidade.

Desta forma, Julian Fellowes (responsável pelo argumento), tentou passar Shakespeare para o cinema, sem cair no ridiculo. A sua missão acabou por ser bem sucedida, sem entusiasmar.

A interpretar este duo romântico temos Haillee Steinfield (Julieta) e Douglas Booth (Romeu). Surpreendentemente, apesar da juventude, eles conseguem boas interpretações, com diálogos dificilimos de tornar naturais. Porém, é Paul Giamatti (Frade Lourenço) quem melhor se sai. No entanto, os diálogos dele parecem descolados dos outros personagens, oferecendo uma interpretação menos erudita, fugindo, por vezes, ao registo da obra.

Certo é que durante 1h40 somos invadidos por uma overdose de amor, que fará até o mais cínico, “arrotar” rosas. Todo este exagero trágico Shakespeareano faz com que, na maioria das vezes, se façam filmes, só levemente parecidos com este grande clássico. Assim, Carlo Carlei (mais habituado a telefilmes) realiza uma obra com coragem. Tentando trazer um pouco deste grande dramaturgo aos espectadores. Falha por ser uma adaptação erudita um pouco MTV (como numa cena onde se avista o gang Capulet a dirigir-se para uma rixa em slow motion, com cabelos esvoaçantes). Falha também, por não acrescentar nada a outras adaptações que já foram feitas.

Onde acaba por ganhar é na parte da Banda sonora. O ambiente criado por Abel Korzeniowski, é o que de melhor tem o filme, acompanhando a narrativa na perfeição.

Em  resumo, Romeu e Julieta é uma tentativa de trazer Shakespeare na sua forma mais clássica, dando um toque mais #somosbuéjovens  (daí as escolhas dos actores), falhando em acrescentar algo ao que já tinha sido feito. Não obstante, a banda sonora é muito boa. Vale a pena espreitar, pois apesar de não ser a mais brilhante adaptação, não é a pior.

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