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Annabelle (2014)

É rara a sequela – muito menos no contexto de filmes de horror – que corra bem, pelo menos artisticamente. Com Annabelle, não falamos de sequela, mas de um spin-off, o que, em termos práticos, vai dar ao mesmo. Pega-se num sucesso comercial – neste caso também de crítica especializada, como foi Conjuring – e tenta-se construir algo a partir daí, sendo o foco principal o lucro. Nada contra isso, os artistas precisam de comer, e as contas de ser pagas. O único senão é mesmo a parca qualidade das obras.

Especificamente em Annabelle, todo o ambience de Conjuring surge montado em cima de uma mesa de três pernas – baseada em factos “reais”; mas já lá iremos.

Annabelle é o nome da boneca possuída que, em 1969 nos EUA, numa altura em que as seitas satânicas proliferavam, acaba na casa de um jovem casal, prestes a serem pais do bebé mais adorável que o cinema viu nos últimos anos. Obviamente, não fosse esta uma época profundamente sexista, é sempre a figura feminina que se trama. Aqui não foi exceção e a progenitora Mia – prestação irrepreensível de Annabelle Wallis – tenta por tudo salvar o seu bebé dos discípulos demoníacos de belzebu (ou do diabo, se preferirem). A tentar ajudar, mas quase sempre só a enfeitar, aparece John (Ward Horton), um marido cujo interesse para a história é proporcional à qualidade da interpretação de Ward – para que não hajam dúvidas, foi má -, felizmente, não ocupava muitas falas.

É neste estilo vintage de terror, que não abusa de efeitos especiais, nem do excessivo gore, que entramos no melhor do filme. John R. Leonetti, mais conhecido como diretor de fotografia (responsável por títulos como Conjuring, e A Máscara), expressa aqui todos os seus predicados: não só consegue replicar o ambiente claustrofóbico e incómodo de Conjuring, como o intensifica, utilizando um truque muito simples do género: a antecipação. A utilização de close-ups recorrentes obriga-nos quase sempre a tentar adivinhar o que se seguirá, fornecendo uma constante e insensata inquietação, imprópria para cardíacos. A adensar essas palpitações estava a banda sonora e os efeitos sonoros, a fazer lembrar obras como A Semente do DIabo (1969) e O Exorcista (1973). Este trabalho minucioso de corte e cola orquestrado por Leonetti, resulta num filme retro, mas que se esquece da história que tem para contar. E aí é mais do mesmo, apesar de ser exatamente aquilo que promete.

Dito isto, Annabelle acaba por não ser uma má proposta, apenas já perdeu todo o fator surpresa que Conjuring provocou quando foi lançado; copia sem acrescentar, excetuando alguns apontamentos, mais de ordem técnica. Não obstante, visto num ecrã gigante e com as colunas bem audíveis, vai claramente provocar calafrios em muita gente.

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