ANCHORMAN 2: THE LEGEND CONTINUES

Sugestão Para Domingo à Tarde # 37: Anchorman 2: The Legend Continues (Adam McKay, 2013)

Quando Adam McKay realizou o primeiro Anchorman (O Repórter: A Lenda de Ron Burgundy), criou precedentes. O género de humor é o típico dos filmes com o cunho de Judd Apatow (que produz), misturado com a crítica à sociedade americana, disfarçada de comédia sem sentido.

Certo é que a obra gerou imensas referências e frases como “I love lamp” (proferidas por Brick, a personagem de Steve Carell) foram ditas e repetidas em diversos programas.

Este segundo capítulo da saga de Ron Burgundy (Will Ferrell), tendo os mesmos protagonistas, prometia mais do mesmo e foi exatamente isso que se verificou.

Após ser despedido, por um Harrisson Ford versão lobisomem, Ron vê o seu lugar tomado pela sua esposa, interpretada por Christina Applegate, período em que entra numa, curta, espiral suicida. Além de várias piadas que envolvem a degustação de golfinhos e a crítica subtil à petrolífera BP, Ron tenta pôr termo à sua vida e, evidentemente, falha (se não seria o filme mais pequeno do mundo). Depois arranja emprego numa nova estação de televisão, em Nova Iorque, altura em que junta o seu gang novamente: Brick (Steve Carrell), Brian (Paul Rudd) e Champ (David Koechner).

Entretanto ganha uma nova chefe, Linda Jackson (Meagan Good), uma afro-americana, o que obviamente gera toda uma série de piadas racistas, não fosse a américa um país profundamente nacionalista à data, inícios dos anos 80 (ou será que continua a ser?).

Se a crítica à sociedade americana continua como parte integrante desde Anchorman 2 (numa bela tradução para Que Se Lixem as Notícias), falta o efeito surpresa causado pelo primeiro.

Sim, os americanos (e vendo bem, quase todos) têm um desejo voyeur de observar os acontecimentos trágicos dos “filhos dos outros”, mais do que de ver notícias imparciais. No entanto, o primeiro filme já tratava do ultraconservadorismo americano, talvez até com mais veemência.

Em termos de humor, manteve-se a toada, um nonsense mais saliente e “americanizado”, um pouco ao género do que Seth McFarlane faz na sua série, Family Guy. A verdade é que voltou a resultar – existem situações nesta obra que são tão inusitadas, quanto engraçadas. Imaginar o Brick a tentar conquistar uma mulher é genial, vê-lo na ação é ainda melhor.

Mais para o fim temos ainda direito a uma luta pela sobrevivência entre as grandes estações de televisão americana (um pouco à semelhança do primeiro filme), mas neste caso em proporções épicas. Aliás, as surpresas foram todas reservadas para esta parte: Sacha Baron Cohen (obviamente a representar a BBC), Jim Carrey e Marion Cottilard a puxarem da costela Canadiana, Will Smith, Liam Nesson, Amy Pohler, Tina Fey e até um minotauro (e muita mitologia Celta). No meio disto tudo ver Brick com uma arma futurista foi a cereja no topo do bolo, ou o chouriço no caldo verde (depende do gosto culinário de quem nos lê).

Brick, interpretado pelo Sr. Carrell, é mesmo o melhor do filme: a sua ingenuidade, em conjunto com o seu QI – semelhante a escritoras de literatura light – roubam todo o protagonismo de Will Ferrell.

Depois, e repetindo a receita, vamos seguindo a narrativa com a banda sonora kitsch e nostálgica do final dos anos 70, início dos 80, mas que não aquece nem arrefece.

Assim, Anchorman 2 é um bom segundo filme, que vem na sequência do primeiro, sem que acrescente nada, perdendo aquilo que lhe dava mais força: a novidade. Ainda assim possui momentos de comédia superiores e uma crítica social sempre bem vinda.

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