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Quatro anos e um até breve do Cinespoon

Escrever é um ato de amor, é alguém que se predispõe a usar da palavra (mal, ou bem, não interessa) para mostrar paixão sobre um tema.

O Spoon nasceu há 4 anos e era isso: um ato de amor, que queria acima de tudo sentir para depois escrever. E o cinema é maravilhoso nisso. Desde o filme incrível que nos faz querer gritar, fechar e abrir os olhos, que nos dá náuseas, até o filme terrível, que nos faz sentir exatamente a mesma coisa, mas pelas razões contrárias.

Eu sempre preferi uma boa história, como as que a minha mãe me contava. A receita era fácil: tinha de me sentir parte dela. Seja sobre monstros, príncipes, princesas, viagens, boxeurs, João Ratões, ou o presidente dos Estados Unidos da América. Por vezes sentia-me tão dentro da história, que a própria me seguia para os meus sonhos.

Pouco me importa se a “mise-en-scène” existe, não exulto com a palavra “raccord”, e estou-me genuinamente a marimbar se a cota de etnias/géneros/religiões não foi cumprida. Não vejo política onde não a há, e não me foco nas imprecisões da câmara. Deixo isso para os outros.

Nos meus sonhos não me lembro se o plano era centrado, se a interpretação era digna de óscar, ou se a banda sonora era magistralmente orquestrada por um quarteto de anões sobredotados. Apenas queria sentir verdade.

Era isso que me impelia a escrever, às vezes sobre filmes muito maus, mas que tinham essa verdade (o genuinamente mau sempre me empolgou).

Foi com esse entusiasmo que fui conseguindo juntar uma equipa à minha volta ao longo destes quatro anos. Infelizmente, esse entusiasmo esmoreceu. Não deixei de sonhar, nem me desculparei com o tempo, mas algures no caminho, perdi o meu propósito, e perdi o significado daquilo que eu fazia no Spoon.

Como no cinema, tudo tem um início, onde a história surge e em que somos apresentados às personagens. A ação segue até que atingimos o clímax, muitas vezes imperceptível, mas que tem um hook que nos prende, sem sabermos porquê.

E é assim que nos entretantos chega o final, mais ou menos expectável, triste ou feliz, depende da interpretação de quem o vê.

Nunca gostei particularmente de remakes, e tenho medo da maioria das sequelas, desconfio de reboots, e não gosto de plágios. Mas no fundo, todas as obras são uma mistura dessas coisas todas, mas com um cheiro novo. Por isso, até encontrar esse “novo”, despeço-me.

Não se esqueçam de ver filmes. Vejam todos, os bons, os maus, os péssimos, e sintam, pois essa é a verdadeira missão do cinema.

Até Breve…

 

  • Rita Nobre Luz

    Parabéns pelos 4 anos de amor e força para a mudança!

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