Dujardin-and-Bejo-The-Artist

O Artista (The Artist, 2011)

Este filme surpreendeu o mundo há dois anos. A produção, no século XXI, de um filme mudo e a preto e branco, sobre filmes mudos e a preto e branco, com a qualidade que O Artista apresenta? Incomum e surpreendente.

Durante 100 minutos segue-se a história de George Valentin (Jean Dujardin), um famoso e talentoso ator de cinema, rodeado de fãs, projetos, produtores e glamour. Mas, com o chegar dos filmes sonoros e da crise económica que os Estados Unidos atravessaram a partir de 1929, tudo está em risco de mudar para George. A juntar a isto, aparece uma jovem fã (interpretada por Bérénice Bejo) que desperta o seu interesse, sendo uma espécie de cereja no topo do tumultuoso bolo em que a sua vida parece tornar-se.

A melhor crítica vai sem dúvida para os atores. Quem se questiona sobre como os filmes sem som podem sequer contar uma história, ou apresentar interações verbais, a resposta está aqui (a não ser que queiram mesmo ir ver os antigos, caso em que – sendo uma colher extremamente prestável – o Spoon pode fazer recomendações): tem tudo a ver com o talento do elenco. Dujardin em particular, com a câmara focada em si 99% do tempo, não desilude uma única vez e Bérénice Bejo acompanha-o na perfeição, tornando dinâmicas e carismáticas todas as interações protagonizadas pelos dois. Outro ponto positivo de O Artista é o fato de ter conseguido um equilíbrio entre o que se fazia no cinema há 90 anos e o que o espetador atual espera ver: como se sabe, nos filmes mudos há um exagero das expressões faciais para ajudar na interpretação das emoções e da ação. Como não podia deixar de ser, aqui é isso mesmo que acontece, mas num grau inferior ao dos originais, permitindo transmitir a mensagem sem que apareça um sentimento de desconforto e de excessiva teatralidade. Este toque terá feito, sem dúvida, a diferença entre o sucesso e o falhanço na apresentação deste filme ao grande público.

Em termos negativos… Bem, sejamos honestos, um filme a preto e branco e sem som, a contar a história de vida de um ator famoso e de uma fã que aspira ao sucesso… Por muita qualidade que a produção tenha como um todo são inevitáveis os momentos de aborrecimento. Não momentos maus, mas momentos que são algo enfadonhos ou transmitem pouco para este lado do ecrã, particularmente se quem estiver sentado no sofá tiver pouca tolerância a estes períodos.

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