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Entrevista a Mark Burton e Richard Goleszowski – Realizadores da Ovelha Choné – Monstra 2015

Mark Burton e Richard Goleszowski constituem a dupla que realizou a longa metragem de A Ovelha Choné, bem como a série televisiva. Ambos envolvidos em premiados filmes de animação stop frame como Chicken Run, Wallace & Gromit e Madagascar, trouxeram ao Monstra’15, o seu novo trabalho. Os dois membros da Aardaman têm tido uma carreira repleta de sucessos e a colher teve o prazer de os entrevistar!

João Peixoto Primeiramente, no mundo tão vasto do cinema, porquê animação?

Mark Burton A animação de stop frame é, em todo o caso, muito parecido a filmes live action uma vez que também tudo existe fisicamente. Já nos tinhamos perguntado essa mesma questão e chegámos à conclusão de que neste mundo de efeitos especiais, animamos assim pois há certas coisas que podemos fazer, certos lugares que podemos alcançar com animação que são inacessíveis em live action.

Richard Goleszowski- Sim, a resposta a essa pergunta remonta às profundezas dos tempos, quando era um aluno de belas artes; nos meus maiores interesses, existia o Surrealismo. Adoro o Surrealismo! Ocasionalmente a comédia associada ao surrealismo. Este ficou na Europa e tornou-se uma arte escura e quando voou para a América e tornou-se animação. Aquele tipo de estranheza, que como num cartoon da Warner Bros, em que um tipo com uma arma se rende ao ver uma arma maior.

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MB – Quando vemos um filme live action tudo tem de ser real, enquanto que na animação, podemos deixar algumas coisas à porta.

RG – Adoro esse desafio! Toda a gente sabe que é animação, até os miúdos pequenos sabem que são bonecos, no entanto, quando conseguimos transportá-los numa aventura onde se emocionam, acho que é algo muito interessante de alcançar.

JP – Desde Wallace e Gromit, Fuga das Galinhas e Ovelha Choné, apresentam uma estética peculiar. Como surgiu?

MB – Cria uma certa absurbidade e dizem que até se vêem dedadas nos nossos bonecos, durante o filme, e isso é muito real, muito distinto.

RG – Os miúdos gostam de saber que tudo aquilo realmente existe. Existem os cenários e as marionetas são reais.

MB – Quando às vezes vamos às escolas até se esquecem que lá estão os realizadores!

JP – Quando fazem um trabalho, direcionam-no para alguma faixa etária específica?

RG – Embora a Ovelha Choné seja um série para crianças, penso que nunca a abordámos como tal. Apenas queriamos fazer uma boa série. A Aardman sempre se orientou para a família e nós quisemos manter essa tradição. Fizemos por ser uma boa comédia mas quando um de nós ia um bocado longe de mais faziamos um certo exercíco de auto-censura.

MB – É muito agradável arranjar piadas de que tanto crianças como adultos se possam rir.

RG – É a universalidade da slapstick comedy; em qualquer parte, com qualquer idade todos podem apreciar. Desde o Japão à Alemanha, todos têm mostrado interesse na Ovelha Choné. A xomédia não tem limite de idade.

JP – Passando por Wallace e Gromit, A Fuga das Galinhas e a Ovelha Choné, é possível vr uma certa tendência para animar animais. Porquê essa escolha?

MB – Muitas vezes acabam por ser animais uma vez que ter personagens assim cria uma certa absurdidade. Pôr caraterísticas humanas em animais torna-se engraçado. Fisicamente existe um Shaun the Sheep de duas pernas e outro de quatro – um mais animal e outro mais humano.

RG – Aliás uma das inspirações para a criação da Ovelha Choné, foi um cartoon de Gary Larson em que vacas dançavam entre o passar dos carros – a vida secreta dos animais.

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MB – Conheces  Creature Confort? Na Aardman, inicialmente existiam algumas curtas com pessoas reais sobre as suas vidas e Nick Part deu a ideia de as transformar em animais e foi aí que Creature Confort se tornou Creature Confort e o projeto explodiu e tomou uma dimensão enorme que não tinha antes.

JP – Que pretendem transmitir com o vosso trabalho?

MB – Queremos fazê-las (pessoas) sentir. Queremos fazê-las rir, ficarem tristes, preocupadas, na beira do do seu lugar. Se isso acontecer posso dizer que concretizei o meu trabalho como realizador.

RG – Fazer com que sintam, com que tenham tido uma experiência agradável. Num dos episódios da Ovelha Choné, o agricultor ia cortar uma árvore, e viu uma pequena cara sorridente marcada, esbatida no tempo na arvore e então passa um flashback de quando o agricultor era pequeno e brincava e subia à árvore. Misturámos o homem e a criança, e que quando o mostrámos no escritório alguns dos nossos colegas não contiveram as lágrimas e sentiram-se obrigados a sair da sala. Foi uma viagem pela infância em que se conectaram com aquela personagem, que foi tão satisfatória como uma boa gargalhada.

MB – Não digo que os filmes não devem ter uma conotação política mas fazer as pessoas sentir é mais importante.

JP – Para terminar, para quem pretende ver o filme de A Ovelha Choné, que lhes podem dizer?

RG – Mesmo que não tenho vista na televisão, não fizemos o filme só para os fãs, e por isso mesmo que vá sem ideia do que é, poderá gostar, e espero que goste.

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