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O Padrinho (The Godfather, 1972)

 O Padrinho é um filme que define duas épocas: por um lado, define a forma de realizar e produzir filmes na sua época, potenciando o surgimento do conceito de blockbuster e a procura constante e ambiciosa do próximo grande sucesso, permitindo que vários realizadores, relativamente novos e inexperientes, saltassem para a ribalta com grandes projetos – foi o caso de Copolla que era, na altura, um realizador por testar, mas que acaba por oferecer ao mundo uma obra de arte chamada O Padrinho. Por outro lado, este filme define a década de 40 nos Estados Unidos, com os gangs e as famílias sicilianas a trocarem influências e (frequentes) tiros.

A história foca-se na família Corleone, liderada por Vito Corleone – o Padrinho. Don Corleone é um chefe de família bondoso e generoso para os seus amigos, mas impiedoso para com os que o desrespeitam e afrontam. Contudo, as velhas formas de lidar com os problemas começam a ser consideradas ultrapassadas pela concorrência e daqui surge a ameaça de uma guerra entre as famílias pelo domínio de novos negócios. O espectador acompanha também a vida dos filhos do Padrinho, principalmente Michael, um herói de guerra relutante em render-se ao modo de funcionamento da família Corleone – até que vários eventos a modificam radicalmente e Michael acaba por se tornar o líder implacável necessário para a sua sobrevivência.

O desempenho dos atores é fenomenal ao longo dos 175 minutos, particularmente o de Marlon Brando com a sua interpretação única de Vito Corleone. Os jovens Al Pacino, Robert Duvall e James Caan contracenam mais entre si e têm uma química que se traduz em qualidade e realismo nas suas interações e nos seus diálogos.

Algo menos óbvias – mas com valor e significado enormes – são algumas das transições entre cenas, que contrastam ação e discurso e funcionam no sentido de demonstrar opostos que se complementam num individuo ou num momento em particular. Todo o significado que daqui advém é interpretação do espectador, deixado às suas próprias conclusões, presunções e predições.

O Padrinho é um filme incontornável, não só do cinema, mas também da cultura americana. A sua qualidade em todos os aspetos permite que geração atrás de geração veja esta obra e diga: “Este filme merece 10/10”.

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