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O Amor Acontece (Love Actually, 2003)

Bem, a época no Natal está oficialmente aberta. Bonecas falantes, cães “urinadores”, Gormitis e jogos para consolas, todos estes apetrechos invadiram a nossa televisão e fazem a cabeça de muitos pais em água. Como o Spoon ainda não se reproduziu, podemos focar-nos nos filmes da época.

Excluindo todos os filmes que envolvem a palavra “natal” no título (porque normalmente dá mau resultado), vamos falar num clássico do cinema por esta altura. Love Actually, de Richard Curtis, é o epíteto da obra natalícia. Do mesmo realizador das comédias românticas, Nothing Hill, Quatro casamento e um funeral e o (deste ano) Dá Tempo ao tempo. Love Actually é uma das poucas obras que consegue unir o natal, a lamechice, o amor e Rodrigo Santoro e mesmo assim sair-se bem.

A premissa é complexa, porque são várias histórias em simultâneo, em paralelo e sem, aparente, ligação. Aliás, o que as liga acaba por ser o Natal e o Aeroporto de Londres. Resumindo: O Colin Firth tenta saltar para cima da Lúcia Moniz, que faz de criada. Bill Nighty é um cantor velho que procura o sucesso. Rodrigo Santoro faz de gajo jeitoso. Liam Nesson faz de pai. Keyra Knightley faz de noiva semi-anorética. E a gorda dos Contemporaneos, que apresentou o 5 para a meia noite durante uns dias, curte com o Colin Firth. Além disso, Hugh Grant interpreta um Primeiro-ministro. Para finalizar, Alan Rickman (O Prof. Snape em Harry Potter) troca a sua mulher, com 50 anos (Emma Thompson), por uma flausina de 25.

Agora que está resumida a história, falta falar de aquilo que a torna tão especial. O facto de ter uma banda sonora melosa, mas ainda assim muito boa, de ter prestações convincentes – destaque para Liam Nesson, que faz de recém-viúvo, que tem de cuidar do filho – e de conseguir unir esses ingredientes todos, sem que a obra fique confusa. Por tudo isto, acaba por ser um filme muito bom. Pode não se gostar do género e, em partes, a música apenas serve para obrigar a emocionar-nos. Todavia, contrariamente a outros filmes, não procura dar um final feliz. Antes, pelo contrário, procura sim um final real, mas com uma aura alegre. E é aqui que entra o Natal, a compor todas as histórias, desde as mais tristes, até às mais alegres. No final, tudo se une, não através do enredo em si, mas através dos sentimentos dos personagem. Aqui, o mérito recái todo para Richar Curtis, que consegue balancear todos os ingredientes da obra, nunca a tornando demasiado romântica, ou triste, ou feliz. Se bem que a duração do filme pode afastar alguns.

Veredicto: Quem quiser fugir a Sozinhos em Casa e a todos os filmes que digam “Natal” no nome, Love Actually (ou O Amor acontece) destaca-se como uma das mais fortes propostas da época, sendo o melhor filme de estrogénio do Natal. Se quiserem testosterona vejam o Rocky, ou o Die Hard.

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