
A Quietude da Água (Futatsume no mado – 2014)
“Kyoko, my life is already, and always will be intertwined with your life. Because I know the place where the gods are.” – Isa
A Quietude da Água, o mais recente filme da nipónica Naomi Kawase, que retrata a intersecção poética dos ritmos da natureza com a vida dos habitantes da ilha de Amami-Oshima, onde ainda se acredita na importância da harmonia com todos os seres da natureza. Numa noite de lua cheia, ao passear junto à praia, Kaito encontra um cadáver a boiar nas águas.
Aquele estranho evento deixa marcas profundas em Kaito, que se vê obcecado por perceber as razões do sucedido. Para isso, pede ajuda a Kyôko, a sua grande amiga. Juntos, lançam-se na missão de desvendar o enigma.
Nesta busca conjunta, a descoberta voltar-se-á sobretudo para a compreensão dos mecanismos da existência e da natureza, essa sabedoria profundamente oriental que a câmara de Kawase harmoniza ao nosso olhar. A passagem para a idade adulta acontece, assim, à sombra das árvores e no interior do mar, onde o tempo se dissolve em virtude das transformações operadas dentro de cada um. Entre o sofrimento familiar e a tranquilidade da água, a vida apazigua-se em canções tradicionais da ilha.
Uma obra nomeada para a Palma de Ouro no Festival de Cannes, que apela à beleza e à poesia das imagens, um ensaio incrivelmente belo que tenta interagir com os dilemas de vida e morte.
“The fear of death follows from the fear of life. A man who lives fully is prepared to die at any time.” – Mark Twain
Como outros filmes de Kawase, este exibe uma espiritualidade mística e, como no seu The Forest Mourning (2007), uma crença profunda no poder terapêutico e redentora da natureza para aliviar a nossa dor mundana. Na unidade interminável da natureza, podemos obter uma perspectiva sobre a natureza limitada dos nossos corpos individuais.
Colherada Final
Veredito
A Quietude da Água - uma celebração exótica de Kawase das tradições folclóricas do Japão dum ponto de vista paternalista e risível; como um desempenho cultural ou turístico, com ilhéus velhos inaugurados pelo cantar do shima-uta acompanhado dum sanshin. Um celebração da vida e da morte, emprestando-nos uma definição do significado de estar vivo.