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Um Belo Domingo (Un Beau Dimanche, 2013)

Depois de uma longa carreira como atriz, desde os anos 70 até ao presente, Nicole Garcia decide aventurar-se como realizadora tendo, nos últimos anos, marcado presença  nos Festivais de Cinema de Cannes e de Toronto com Selon Charlie (2006) e Um Belo Domingo (2013), respetivamente. Este último, a estrear em Portugal esta semana, deixa-nos a sensação de que Nicole Garcia talvez fique melhor em frente à câmara do que atrás.

 O enredo passa-se no sul de Franca onde Baptiste (Pierre Rochefort, filho da realizadora) é um professor substituto numa escola primária. Misterioso e reservado, Baptiste não nos deixa ver os segredos que se escondem atrás da sua simplicidade, tendo Pierre Rochefort um grande mérito na forma como deu vida ao personagem, que se ocupa mais do silêncio do que das palavras. Apesar de toda a sua reserva, Baptiste não consegue esconder a sua vida de um dos alunos, Mathias (Mathias Brezot), que anda na corda bamba de um divórcio e acaba a dormir no sofá do professor. Louise Bourgoin aparece na pele de Sandra, mãe de Mathias que, apesar de querer o melhor para o filho, não consegue evitar contrair dívidas com mafiosos que nem ao soco perdoam. Por esta altura é já expectável o romance entre os dois adultos. De que falamos aqui? Previsibilidade e um ponto a menos para Nicole Garcia.

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A segunda parte do filme leva-nos ao passado pouco feliz de Baptiste, que decide ajudar Sandra a pagar a sua dívida. Ficamos a saber que o jovem professor fazia parte de uma família da alta sociedade da qual se havia separado há mais de dez anos e é aqui surgem todos os estereótipos que já podíamos antecipar: uma mansão com jardins onde podia viver Marie Antoinette; Baptiste como a ovelha negra da família; e jogos de expectativas, cinismos e aparências em que a figura central é Liliane Cambiére, mãe de Baptiste, interpretada por Dominique Sanda. O filme retoma algum do seu interesse mas não por muito tempo. Verdade seja dita, o argumento não é brilhante e nada na história é verdadeiramente surpreendente, o que pode deixar os espectadores mais exigentes algo desiludidos. Onde Nicole Garcia certamente não falhou foi na forma como dirigiu os atores, cujas performances acabaram por ser o suporte do filme.

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