
Joy (2015)
Joy Mangano é a perfeita representação do sonho americano: vinda de famílias humildes e mãe solteira de três filhos (no filme eram só dois), sem grandes oportunidades, conseguiu em 1990 criar uma esfregona que prometia revolucionar a lide doméstica.
Hoje em dia, com mais de 100 patentes no mercado e aparências recorrentes no canal de televendas HSN, Joy é multimilionária.
Ora, com uma história de vida destas, era uma questão de tempo até que a malta de Hollywood lhe metesse a mão em cima.
Felizmente a mão veio de David O. Russel, o realizador de Golpada Americana e Fighter, que viu em Jennifer Lawrence, a atriz perfeita para encarnar Joy – e não se enganou.
Aqui estamos perante uma Biopic, centrada na história de superação desta mulher, que encarnava a lei de Murphy na perfeição.
No que toca ao filme em si, que é o que interessa, temos o carimbo tipo de O. Russel: um encadeamento de histórias e um desenvolvimento a grande velocidade, que consegue prender e entusiasmar quem vê.
Por falar em entusiasmar, Lawrence fá-lo na perfeição. Num papel que lhe encaixa que nem um cabo de esfregona, mostra garra, carisma, e capacidade para carregar um filme às costas, secundarizando tudo o resto. O filme chama-se Joy, e poder-se-ia chamar Lawrence. Tentarei demonstrar contenção no resto da crítica porque tenho de confessar: eu tive metade do filme para perceber o que é que aquela esfregona fazia, mas a minha vontade era comprá-la na mesma, tudo porque era a Jennifer a vendê-la.
O que não dá vontade de comprar é o resto. A obra é morna, e falta cola no guião. Se em Golpada Americana existe um encadeamento perfeito entre todas as cenas, em Joy parece tudo colado a cuspo, e as personagens são substancialmente menos interessantes, e pouco ou nada relevantes. Faz-me lembrar o jogo Frogger; o que interessa é que o sacana do sapo não morra atropelado, mas passam tantos carros, que às tantas não nos lembramos de mais nada que não o raio do sapo. Nesta bela analogia, Jennifer é um sapo (bem sexy diga-se) e tudo o resto é ruido e carros indiferenciados.
Assim, Joy é uma obra esquecível e menor em comparação com os anteriores filmes de O. Russel, felizmente para o realizador, Jennifer existe. É sobre ela que recai o filme, e é por ela que vale a pena vê-lo. Apesar de tudo, não se pode considerar uma obra fraca, é apenas desequilibrada. É como imaginar o Cristiano Ronaldo ir jogar para o Cucujães, treinado pelo Mourinho.
Colherada Final
Veredito
Um filme desequilibrado, que tem a capacidade de agarrar o espectador, mas que é algo desligado entre cenas. A cola que o une é a protagonista: Jennifer Lawrence.
Tudo o resto é secundário (Robert De Niro, Bradley Cooper, a própria história), o que nós queremos é ver a Jennifer safar-se.
Quanto ao filme, safa-se