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Dava Tudo Para Estar Cá (Wish I Was Here, 2014)

O novo filme de Zach Braff apresenta uma família – um pai com as prioridades trocadas, uma esposa sobrecarregada que tenta manter todos felizes, a filha incompreendida e madura demais para a idade, o filho mais novo e irreverente, um tio sem ambições,… – a braços com um acontecimento que altera as suas rotinas diárias e os força a reavaliar e reajustar as suas atitudes.

Sim, depois desta descrição é compreensível a sensação de déjà vu, «Já vi este filme, não já?». O título é Wish I Was Here mas podia ser Little Miss Sunshine, Dan in Real Life, Life as a House, The Last Song… Isto é, se Steve Carell fosse um dos coprotagonistas, ou se a história fosse baseada em algum romance lamechas de Nicholas Sparks.

Felizmente não é assim para nenhum dos casos e Wish I Was Here, apesar de pouco original, consegue agradar.

Dez anos depois de acordar os espíritos dormentes e os sonhos anestesiados com Garden State, Zach Braff escreve, realiza e protagoniza um novo filme onde o objetivo é acalmar as frustrações daqueles cujos sonhos nunca se realizaram.

Wish I Was Here é feito para os sonhadores, para as crianças sensíveis com amigos imaginários e um fascínio por jornadas épicas contra dragões e cavaleiros do espaço, para os adolescentes que se sentem deslocados num mundo de interesses limitados, para o adulto que vive agarrado à máscara, com medo que todos descubram que ainda é uma criança insegura a inventar decisões dentro de um fato de pessoa crescida… É uma mensagem para todos os inadequados que transformaram as suas vidas numa simples espera por aquele momento épico em que os seus sonhos se tornarão realidade: se calhar não somos especiais.

Apesar disso, Wish I Was Here não é um filme pessimista, disposto a chacinar esperanças e ambições. O sentido de humor peculiar e o indie folk da banda sonora suavizam a mensagem e o espectador dá por si a batalhar entre lágrimas e riso, sempre com uma sensação familiar e confortante.

Sem performances memoráveis, ao lado de Zach Braff encontramos Kate Hudson, Josh Gad, Mandy Patinkin, perfeito no papel do tipo que não suportamos mas conseguimos compreender, e Joey King, jovem e talentosa. Ainda Donald Faison (o bromate de Braff em Scrubs), James Avery e Jim Parsons (que ultimamente está em todo o lado, ainda que sempre demasiado agarrado à mesma personagem) dão o ar de sua graça em papéis cómicos e leves.

É esta precisamente a melhor característica de Wish I Was Here; a leveza e facilidade com que até as situações mais sérias se desenrolam, como um limbo entre o drama e a comédia, uma sala com ar condicionado no dia mais quente do verão.

Zach Braff dispõe-se a entregar-nos uma verdade muito desagradável mas fá-lo de forma encantadora e otimista: se calhar não somos especiais, não somos os heróis e nem sempre tudo corre como esperamos, mas não faz mal porque ainda podemos ser nós mesmos; às vezes em vez do sonho, é a vida que acontece.

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